Serra reinicia obra de acesso à marginal

O prefeito José Serra (PSDB) anunciou ontem a retomada da obra de uma das alças do complexo viário da av. Jornalista Roberto Marinho, antiga Água Espraiada, zona sul, parada desde fevereiro.
A intervenção criará um acesso direto à avenida para quem segue da zona sul pela marginal Pinheiros. E acabará com o semáforo na esquina da Roberto Marinho com a av. Engenheiro Luís Carlos Berrini. No ano que vem, será feito o mesmo acesso no outro sentido (da avenida para a marginal).
Mas essa é uma pequena parte do complexo. No projeto da gestão Marta Suplicy (PT) havia a construção de uma ponte estaiada (suspensa por cabos de aço) para ligar a Roberto Marinho e a marginal Pinheiros (sentido Interlagos). A idéia foi atacada por Serra.
"Quiseram fazer uma coisa faustosa, cara. Esse negócio de estaiada foi só para vaidade, só para gastar dinheiro. Não ajuda o trânsito e custa uma fortuna. Se tivermos tempo e condições, mudaremos o projeto", afirmou o tucano.
A assessoria de Marta divulgou nota na qual diz que "não há base técnica para afirmar que as obras custariam o dobro do previsto" e que "é mera especulação, feita sem amparo de estudo técnico".
Alças
A parte da obra que deve recomeçar hoje, da marginal Pinheiros para a Roberto Marinho, visa desafogar o cruzamento com a Berrini. A entrega está prevista para julho de 2006. O custo total está orçado em R$ 16,4 milhões, que devem ser pagos com recursos do município e com a venda de Cepacs -títulos da prefeitura oferecidos ao mercado.
As obras de uma outra alça, no sentido oposto, devem recomeçar em fevereiro de 2006 - com entrega prevista para julho de 2007 e custo de R$ 18 milhões. Serra afirma que a parte principal do complexo é a ampliação da avenida Roberto Marinho no sentido da rodovia dos Imigrantes -parte que só deverá ser executada depois da elaboração de um projeto -o que pode demorar dois anos.
"Com essa parte do complexo, vamos prolongar a avenida Roberto Marinho para oferecer uma saída para as estações do metrô Jabaquara e Conceição e facilitar o acesso a Congonhas", disse.
Até o momento, o cronograma de obras só menciona a ampliação da Roberto Marinho até a avenida Pedro Bueno. Há outros dois trechos sem previsão de execução, ao custo estimado de R$ 870 milhões. A soma leva em conta a desapropriação de cerca de 8.500 famílias -o que deve custar de R$ 300 milhões a R$ 400 milhões.
Serra afirma que a emissão de Cepacs não será suficiente para cobrir os gastos. "Vamos ter que bancar o que é essencial, com dinheiro do orçamento. Essa forma é sempre gradual e complementar. Nunca vai dar os recursos necessários. Fez-se muita onda com a Operação Urbana", afirmou.
Economista e um dos idealizadores dos Cepacs, Marcos Cintra discorda. "Ele [Serra] está desmoralizando um instrumento que tem à sua disposição. Ele deveria fazer as pessoas acreditarem nos Cepacs. Assim ele está dando um tiro no pé", afirmou Cintra.
Segundo a presidente da Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), Heloísa Proença, o consórcio Falcão Bauer-Ductor deverá gerenciar as obras. Até dezembro de 2004, uma das empresas do consórcio, a Ductor Implantação de Projetos, pertencia ao secretário de Infra-Estrutura Urbana e Obras de Serra, Antônio Arnaldo.
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