Muitos eleitores me perguntam sobre o andamento da proposta do Imposto Único no Congresso Nacional. Indagam sobre o que pode ser feito para torná-lo realidade. Antes de mais nada, quero dizer que devo meu mandato de deputado federal, e os 132 266 votos que conquistei nas eleições de 1998, ao compromisso que assumi com a população de lutar pela adoção do Imposto Único no Brasil. Assumi este compromisso por acreditar que o país necessita urgentemente de uma reforma tributária profunda, e que o Imposto Único é o caminho para a imediata melhoria das condições de vida da população brasileira.
Digo sempre, e reafirmo, que só estou na vida pública devido a esta motivação, e que farei o que for necessário para tornar esta proposta viável. Fiz desta bandeira a principal razão de ser de minha atuação parlamentar. Esta bandeira estará sempre desfraldada, em qualquer cargo que esteja ocupando. E quanto mais alta e representativa a posição em que venha a me encontrar, mais forte será o ímpeto do apoio que estarei oferecendo à causa.
Como qualquer idéia revolucionária e inovadora, o Imposto Único tem muitos adversários. Há interesses poderosos que não desejam mudanças, pois há grupos que sentem-se favorecidos pelo modelo tributário atual, ainda que ele seja ineficiente e injusto para a maior parte da sociedade.
Dois segmentos contrários ao Imposto Único se destacam com enorme nitidez: os sonegadores, e a burocracia, tanto pública quanto privada. Ambos apresentam justificativas tortuosas para embasarem sua oposição, mas não conseguem ocultar a verdadeira razão que os motiva: não querem perder poder.
No caso dos sonegadores, trata-se de manter o poder competitivo que a sonegação fiscal lhes confere frente a seus concorrentes. Com o Imposto Único, insonegável, tal vantagem desapareceria. No caso dos burocratas do governo, desejam manter o poder de administrar o erário público, o poder de tributar, de isentar, e de cobrar impostos; e quanto aos burocratas privados, não abrem mão do poder que suas posições e contratos de consultores e jurisconsultos lhes outorgam. Em ambos os casos, a simplicidade, transparência, e automaticidade do Imposto Único lhes retirariam o campo de atuação que a complexidade do atual sistema tributário lhes conferem.
Tenho a plena convicção que tais grupos são poderosos, e que somente a força política poderá lhes opor resistência.
Essa é a principal razão pela qual não vejo contradição entre a continuidade do esforço em prol do Imposto Único e a disputa pela prefeitura de São Paulo, que aceitei na última eleição. Com certeza, o poder e a representatividade política que o prefeito de São Paulo, ou qualquer outro cargo de expressão, detém, serão instrumentos inestimáveis se usados para viabilizar a adoção do Imposto Único no Brasil.
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