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  • Marcos Cintra - Folha de S.Paulo

O caos na economia


A teoria do caos, analisada em recente publicação do Instituto Liberal -"Caos, Administração e Economia", de D. Parker e R. Stacey- está causando uma revolução no pensamento econômico. Seus postulados básicos dizem que o mundo não se caracteriza pela ordem, mas pelo caos. O desequilíbrio é a norma, não a exceção. ​ Isso não significa a inexistência de relações causais. Mas sim que elas são altamente complexas para poder ser tratadas por meio de relações lineares como as utilizadas em economia. ​ Em sistemas não-lineares, a teoria do caos ensina que pequenos distúrbios podem causar grandes perturbações. ​ Uma borboleta batendo asas em Tóquio pode causar um furacão em Nova York, sem que ninguém seja capaz de traçar o caminho de volta do furacão até a borboleta japonesa. ​ Além disso, a não-linearidade implica que uma dada causa, ou ação, pode ter mais de um efeito, ou resultado, diferentemente do que ocorre com as relações lineares. ​ Em outras palavras, vivemos em um mundo caracterizado pela desordem dentro da ordem. Por exemplo, não conseguiremos, jamais, prever, com exatidão, as condições meteorológicas de uma dada semana de janeiro na cidade de São Paulo, que sempre mostrará um comportamento imprevisível e caótico. Porém, podemos ter certeza que jamais cairá neve. ​ Mas se a economia é regida por regras caóticas, não cairemos no total imobilismo, no fanatismo? Há alto a ser feito para se buscar o crescimento econômico e a estabilidade de preços? ​ Certamente que sim. A capacidade de adaptação a novas circunstâncias, a criatividade e as inovações são mais importantes para o crescimento econômico do que a busca da ordem, do equilíbrio e da estabilidade. A regulamentação, o planejamento e a rigidez institucional não são respostas adequadas a sistemas caóticos. ​ A excessiva intervenção estatal, o monopólio e a tributação elevada reduzem a capacidade de adaptação e de auto-regulação dos agentes econômicos e prejudicam o crescimento. ​ O que vale, portanto, é a adaptação espontânea a novas e imprevisíveis circunstâncias, que surgem a todo momento. A diretriz correta é o fomento da liberdade de mercado e políticas que preservem a agilidade institucional para mudanças. ​ É por isso que, mais do que nunca, o liberalismo se coloca como a alternativa adequada para a definição das normas de política econômica. E se torna cada vez mais atual o discurso da escola austríaca, com sua visão institucionalista, hoje resgatada por economistas modernos, como Buchanan e North, e pela teoria do caos.

Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, doutor em Economia pela Universidade de Harvard (EUA).

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