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  • Marcos Cintra - Correio Braziliense

Rumo para a inovação no Brasil


A inovação tornou-se a mais relevante variável na determinação das políticas de crescimento econômico em todo o mundo, suplantando fatores considerados críticos, tais como disponibilidade de recursos naturais, acumulação de capital, poderio militar ou posicionamento geopolítico. ​ O governo brasileiro vem dedicando parte significativa de suas receitas ao fomento à ciência e tecnologia. Pouco mais de 0,9% do PIB vem sendo aplicado pelo setor público no apoio a essas atividades. Trata-se de significativo e louvável esforço governamental, e que resultou, dentre outros impactos, no Brasil estar situado em 14º lugar dentre os maiores países produtores de conhecimento científico no mundo. ​ Contudo, há um fato intrigante na performance brasileira em ciência, tecnologia e inovação. O esforço público que nos colocou dentre os mais avançados países em produção científica não se mostrou capaz de retirar o Brasil de um vergonhoso 69º lugar no ranking de transformação do conhecimento em agregação de valor econômico, ou seja, em inovação. ​ No Brasil cada real público aplicado tem conseguido alavancar cerca de R$ 0,80 privados, ao passo que em países tecnologicamente mais avançados a relação é inversa, ou seja, o investimento privado é maior que os dispêndios públicos. Em países como a Coréia do Sul e o Japão, por exemplo, a relação entre os dispêndios privados e os públicos chega próximo de 4 para 1. Nesse contexto, convém perguntar: por que as empresas brasileiras investem pouco em inovação? ​ Um importante fator que explica esse comportamento é o nosso desfavorável ambiente institucional: na visão do empresariado brasileiro, o quadro regulatório e legislativo brasileiro é desestimulante, destacando-se a burocracia, alta carga tributária, impedimentos à importação de insumos e equipamentos estratégicos, morosidade na obtenção de patentes, e ainda a falta de percepção da sociedade acerca da importância da inovação e do conhecimento científico para o desenvolvimento econômico. ​ É importante lembrar também que grande parte das maiores empresas instaladas no Brasil são multinacionais, que possuem seus centros de pesquisa em outros países, e não faria sentido duplicar esforços no Brasil. Por fim, é importante observar a baixa interação entre empresas e as universidades e Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTs), onde se concentram a larga maioria dos cientistas e pesquisadores brasileiros. ​ É prioritário para o país que mudemos esse quadro. Não se trata de virar de ponta-a-cabeça o modelo brasileiro e copiar o modelo norte americano, por exemplo, onde a ampla maioria dos pesquisadores e produtores de tecnologia está nas empresas. A diferença entre os arranjos institucionais não implica que um modelo seja necessariamente melhor que o outro. É crucial aprimorarmos o modelo brasileiro, buscando melhorias sem motivar grandes resistências que possam desperdiçar tempo, energia e os limitados recursos disponíveis. ​ O caminho de menor resistência para gerar inovação é aproximar as empresas dos centros geradores de conhecimentos tecnológicos e de pesquisa, que entre nós são as universidades e as ICTs, em geral públicas, ao invés de fomentar as empresas a investirem em seus próprios centros de pesquisas de forma exclusivamente autônoma. ​ Respeitando as peculiaridades de cada arranjo institucional, o importante é aumentar os investimentos em P&D, mesmo que os gastos privados sejam alocados no financiamento de atividades desenvolvidas em instituições públicas. A pesquisa colaborativa entre empresas e universidades deve ser fortemente estimulada. Complementarmente, devemos envidar esforços concomitantes para estimular as empresas a criarem seus próprios centros de pesquisa e a contratarem seu próprio corpo de pesquisadores, como ocorre em outros países. Ainda que trilhando diferentes caminhos, é necessário dar novos rumos para a inovação no Brasil.

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