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  • Marcos Cintra

8 de janeiro: Entre narrativas ufanistas e a realidade

Sim, sim, a história é sempre contada pelos vencedores.


Lendo os jornais hoje, não pude deixar de notar o ufanismo e as autocongratulações que cercaram as narrativas do dia 8/01, quando a democracia foi salva no Brasil.


Mas me chamou a atenção a declaração do Ministro da Defesa, José Mucio, homem honrado com quem tive a felicidade de conviver por uns anos na Câmara dos Deputados que disse em entrevista ao Estadão: “Continuo achando que foi uma grande baderna.” Vou nesta linha.


Que havia entre os acampados nos quartéis quem defendesse um golpe é tão provável quanto haver defensores de um golpe armado em reuniões de grupos de esquerda.


Até aqui, nada que comprometa o processo democrático.


A questão é passar da imaginação aos atos.


No dia 8 de janeiro o país amanheceu com relatórios das agências de informação sobre uma passeata até a Praça dos Três Poderes. Sabemos como passeatas degringolam, frequentemente e propositadamente por arruaceiros profissionais em depredação e violência. (Lembram as invasões do Congresso Nacional em 2006, as depredações ocorridas, e também em 2013?)


O governo foi informado e inexplicavelmente não tomou as providências necessárias.


Por que? Teriam visto uma oportunidade de consolidar a imagem de guerreiro pela democracia do recém eleito presidente da República? Teriam visto uma oportunidade de preparar uma armadilha para um ex-presidente que se encontrava no exterior?


Como sabiam que os manifestantes não estariam armados, as circunstâncias seriam favoráveis a deixar, e quem sabe até desejar, que baderneiros fizessem o trabalho sujo.


Jogaram muito bem, venceram, e agora contam a sua história, nem sempre a que verdadeiramente ocorreu.


Teria o ex-presidente, que se evadira do país, condições de comandar uma tomada de poder? Sem armas? Sem comando, através de arruaças e depredações?


Por que os arruaceiros e depredadores não foram presos no ato? Foram prender os transeuntes e acampados no dia seguinte em frente ao quartel.


Faz sentido isso?


É claro que existirão conversas gravadas e bilhetinhos de tudo que é tipo defendendo um golpe. Mas seriam provas de uma verdadeira conspiração? Uma ameaça à democracia?


As ameaças à democracia assumem formas muito mais sofisticadas hoje em dia, e sabemos muito bem quais são.


Vamos ver o que ocorre no dia 8.

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