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  • Marcos Cintra

A criação de empregos

O desemprego e a marginalização social atingem grandes contingentes da população mundial. Tem-se que as campanhas emergenciais de distribuição de alimentos, vestuário e medicamentos tendem a se esgotar com o tempo; e a introdução de projetos de distribuição de dinheiro, tipo seguro-desemprego, leva à acomodação, contribui para aumentar o déficit público, reduz as fontes de financiamento ao setor privado - gerador de riquezas - e, contraditoriamente, ao invés de reduzir, aumenta a miséria. É o que mostram práticas de países desenvolvidos e em desenvolvimento.


A solução duradoura para esse problema reside no estímulo à discussão, concepção e introdução de formas de criar riquezas, pois a experiência indica que na maioria das comunidades carentes urbanas e rurais há recursos humanos e materiais não utilizados, que precisam ser mobilizados para a produção, introduzidos no circuito formal dos mercados e atender às suas demandas reprimidas por bens e serviços.


Uma alternativa é incentivar a criação de cooperativas de trabalhadores e transformá-los em gerentes e proprietários de seus próprios negócios.


Existem exemplos de iniciativas bem-sucedidas. Nos Estados Unidos, em Silver City, Novo México, a diocese criou a Cooperative Ownership Development Cooperation, em moldes semelhantes ao do projeto Acción Internacional, baseado em Cambridge, Massachusetts. Na Espanha, a cidade de Mondragón tornou-se uma comunidade-cooperativa de 20 mil sócios, reunidos em mais de 200 entidades, que produzem bens e serviços diversificados, inclusive de alta tecnologia. No Brasil, a primeira experiência dessa natureza ocorreu no âmbito do polo noroeste, nos Estados de Rondônia e Mato Grosso, com o apoio das Nações Unidas.


Na cidade de São Paulo, os efeitos da crise econômica são mais variados e profundos, devido à magnitude de sua população e ao grau de seu desenvolvimento, levando a um descompasso dramático entre recursos disponíveis e as demandas sociais. Aqui, para combater o desemprego e a marginalização, a Prefeitura do Município de São Paulo, com o concurso da FAO/ONU, implementou o Programa de Geração de Emprego e Renda (Proger), visando despertar e estimular o espírito associativo e a melhor utilização dos recursos humanos e materiais existentes nas comunidades mais pobres.


A estratégia adotada no programa foi a de induzir, rápida e massivamente, essas comunidades a:


formação de unidades econômicas e de prestação de serviços;

geração de multiprojetos financiáveis;

orientá-las na obtenção de financiamento para tais projetos de desenvolvimento auto-sustentado e reprodutíveis, sob dinâmica empresarial própria.

A implantação dessas ações apoiou-se na promoção de Laboratórios Organizacionais de Cursos, incumbidos da capacitação de Técnicos em Desenvolvimento Econômico (TDE) e Auxiliares de Projetos de Desenvolvimento (API), por meio de cursos intensivos de técnicas de elaboração e avaliação de projetos; promoção de Laboratórios Organizacionais de Terreno e Laboratórios de Empresa e na realização de cursos de pré-qualificação profissional em múltiplas áreas de especialização.


Em sua primeira fase, o Proger capacitou 79 multiplicadores de conhecimento: 2.450 pessoas desempregadas, distribuídas em 84 bairros, em organização e elaboração de projetos; elaborou 470 projetos de criação de empresas comunitárias; capacitou 1.300 pessoas em dois laboratórios de empresa; gerou 700 empregos, imediatos e duradouros; publicou três livros sobre Teoria da Organização (dois) e sobre Empresas Associativas (um); reuniu mais de 100 títulos sobre metodologia de capacitação massiva e proferiu palestras em entidades governamentais, sindicais, civis e religiosas.


O interesse despertado e os resultados obtidos pela primeira fase do Proger dão uma boa medida do interesse das comunidades carentes por novas modalidades e oportunidades de trabalho nas quais possam externar suas aptidões. Mostram, ainda, que reivindicar saúde, educação, emprego, habitação etc., sem cuidar de conceder e desencadear programas específicos que operem para viabilizar tais objetivos, não passa de mera exploração de temas de intenso apelo político-social. Nada mais.


Marcos Cintra é vereador pelo PL.

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