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  • Marcos Cintra

Crise de mobilidade

Em apenas dez anos, entre 2002 e 2012, uma frota adicional de 1,6 milhão de carros passou a circular na cidade de São Paulo. Isso equivale a uma média de 13 mil automóveis a mais todo mês nas ruas do município. Considerando o total de veículos (incluindo ônibus, caminhões, motocicletas e outros), o acréscimo na frota em circulação no território paulistano, no mesmo período, ultrapassou 2,6 milhões de unidades, equivalente a um incremento de 22 mil por mês.


Os investimentos na infraestrutura viária e no transporte coletivo de alta capacidade foram insuficientes para atender à expressiva demanda por locomoção na cidade de São Paulo nos últimos anos. Esse descompasso tornou inevitável a crise de mobilidade no município. Periodicamente, analiso a situação do trânsito paulistano por conta do impacto econômico desse componente do "custo São Paulo".


Seguramente, dado o peso da economia paulistana no PIB nacional, esse fator assume importância crescente em termos de comprometimento da competitividade brasileira. No relatório divulgado este mês (apresentei um primeiro estudo em 2009), mostro que o caos no trânsito da principal economia do país atinge valores espantosos. A lentidão de circulação implica em perdas bilionárias de dois tipos: o tempo ocioso das pessoas no trânsito e os gastos pecuniários impostos à sociedade.


O primeiro tipo é um conceito chamado de "custo de oportunidade". Considerando apenas os períodos críticos dos congestionamentos pela manhã e tarde/noite e o custo da hora de trabalho, esse valor foi de R$ 30,2 bilhões em 2012. Em 2002, essa perda foi estimada em R$ 10,3 bilhões. O segundo tipo refere-se aos gastos monetários derivados da reduzida velocidade de circulação dos veículos comparativamente a uma hipótese de velocidade considerada ideal. Contempla desembolsos referentes ao consumo adicional de combustível pelos carros e ônibus, o impacto dos poluentes na saúde da população e o aumento no custo do transporte de carga.


As perdas somadas nesses itens somaram R$ 10 bilhões em 2012. Em 2002, foram quase R$ 7 bilhões. A crise de mobilidade em São Paulo custa por ano mais de R$ 40 bilhões para o país, valor equivalente a 1% do PIB brasileiro e 7,5% do PIB paulistano. As perdas causadas pelo caótico trânsito de São Paulo demandam ações de parcerias envolvendo os três níveis de governo e a iniciativa privada. É preciso estabelecer um mix de ações de curto, médio e longo prazos que alivie gradativamente os bilhões que vão para o ralo todos os anos.


Algumas ações passam pela aceleração da expansão e modernização da rede de transporte sobre trilhos (metrô e trens), investimento em terminais de transbordo para ônibus, e a substituição da tributação sobre o preço dos automóveis pelo ônus maior sobre seu uso. No âmbito viário, é necessário investir na revascularização do trânsito através de pequenas intervenções que criem vias alternativas de circulação em áreas críticas de congestionamento. Reduzir esse desperdício é um desafio aos gestores públicos. Essa ação terá efeito benéfico.

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