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  • Marcos Cintra

Tarifa de ônibus: PT ou Maluf?

O transporte coletivo em São Paulo e a política adotada pelo prefeito Paulo Maluf para o setor vêm sendo alvo de críticas do PT e do PSDB. A principal alegação é de que as tarifas vêm subindo desmesuradamente, muito acima da evolução dos índices de preços ao consumidor. O estopim desta onda de críticas se deu, sobretudo, pela fixação da tarifa de ônibus em R$ 0,50 a partir do dia 1º de julho. Além disso, apontam a deterioração na qualidade dos transportes urbanos na cidade de São Paulo. Vamos começar com alguns números.


O aumento das tarifas segue rigorosamente o determinado pelo Plano Real. Elas não eram mais corrigidas diariamente pela URV. O último aumento ocorreu em 20 de junho, com o valor de 0,50 URV. Assim, na transição para o real, houve a manutenção da paridade. Portanto, nada a estranhar, a não ser o desejo demagógico de encontrar bodes expiatórios para eventuais insucessos no plano de estabilização.


O quadro abaixo mostra a comparação entre a tarifa e a inflação no sistema de transportes em São Paulo.



É evidente que a evolução das tarifas requer uma análise de longo prazo, principalmente se o período imediatamente anterior à gestão Paulo Maluf foi marcado por práticas demagógicas e eleitoreiras de tarifação.


Até julho de 1992, o IGP acumulou 309%, e a atualização da tarifa pela administração Erundina foi de 433%, 30% acima da inflação. Em seguida, o preço das passagens foi comprimido. Entre agosto e dezembro, o IGP acumulou 207%, enquanto o reajuste foi de 81%, 41% abaixo da inflação. Em julho de 1992, a tarifa estava em US$ 0,40. Com a aproximação das eleições municipais, a Prefeitura reduziu as tarifas para US$ 0,26 em dezembro, o que, no entanto, não evitou a derrota nas urnas e a reprovação popular dos métodos de gestão.


O mais curioso é que a dramática queda nas tarifas não se deveu a nenhuma preocupação social ou a uma política consciente de subsídios aos mais pobres. Pelo contrário, a gestão petista foi marcada pelo aumento das tarifas de ônibus.


Em janeiro de 1989, no primeiro mês da gestão Erundina, a tarifa de ônibus era de US$ 0,18. Após dois anos de constantes aumentos, ela atingiu US$ 0,42. Posteriormente, devido aos planos de estabilização do governo Collor, caiu para cerca de US$ 0,30. No entanto, logo que possível, foi novamente aumentada para US$ 0,40, até ser contida pela política de tarifação eleitoreira no último semestre de 1992.


Além disso, a evolução da tarifa em São Paulo encontra justificativas fortemente atenuantes no fato de os custos do transporte coletivo terem aumentado mais do que a inflação. Ao longo de 1993 e até abril de 1994, os preços medidos pelo IGP aumentaram 117 vezes. Já os custos do transporte coletivo no mesmo período experimentaram aumentos acima da inflação. Alguns exemplos incluem pneus, 118 vezes; óleo lubrificante, 122 vezes; salário de motorista, 144 vezes; e chassi de ônibus, 154 vezes.


A administração petista não praticou o que hoje está exigindo do prefeito Paulo Maluf. Pelo contrário, aumentou significativamente as tarifas e, ao mesmo tempo, devido à sua característica ineficiência administrativa, passou a suportar custos cada vez mais pesados. A população saiu perdendo duas vezes, pagando tarifas mais elevadas e arcando com significativas transferências orçamentárias para o setor de transportes urbanos, a serem cobertas com o aumento de impostos.


O AUTOR

Marcos Cintra é professor da FGV e vereador pelo PL em São Paulo.


Publicado no Jornal da Tarde

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