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  • Marcos Cintra

Votar é ato de consciência

Aproxima-se o dia das eleições. Desta vez, elas estarão sendo disputadas por candidatos a eleições majoritárias e proporcionais - presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Daí a enorme responsabilidade dos eleitores ao exercerem a expressão máxima de sua cidadania, que é poder escolher seus representantes nas diferentes instâncias de poder.


O Brasil tem atravessado um dos períodos mais importantes de sua história democrática, no qual está ocorrendo uma revolução pacífica, uma depuração política, através da prática do voto. Pacífica, mas, mesmo assim, muitas vezes traumática devido ao desencanto e à decepção causados por políticos carreiristas, oportunistas, demagogos e corruptos. Tanto que, hoje, a classe política é a mais desacreditada, como revelam inúmeras pesquisas.


Entretanto, o eleitor não deve perder de vista que todos os bons e os maus políticos foram eleitos pelo povo. Os que não souberam honrar o mandato, por omissão, incompetência ou atuação indigna, verão chegar a hora de sua punição nas próximas eleições, quando não deverão ser reeleitos. Portanto, nada de voto nulo ou em branco. Nada de fazer o jogo dos maus políticos e deixar tudo como está. É a vez da sociedade votar conscientemente. Como? Simplesmente procurando conhecer bem as referências dos candidatos - seu currículo, vale dizer, sua formação, seu passado, sua experiência, sua atuação profissional, política e social, e agora, sua proposta, para então decidir a quem confiar seu voto.


É importante romper com o costume, ainda frequente, de votar em troca de doações de bolas, jogos de camisas para clubes esportivos, ou o aperitivo compartilhado no bar da esquina, entre outras práticas usuais. Tais atitudes, aparentemente simpáticas, são frequentemente reveladoras de candidatos espertos, atrás de manter ou formar redutos eleitorais, explorando a boa-fé. Isso é uma postura indigna, que não recomenda nenhum pretendente a representante dos interesses do povo.


O voto consciente é o caminho da mudança, da moralização e da renovação dos costumes políticos. É preciso procurar votar bem. Depois, acompanhar a atuação dos eleitos, cobrar-lhes suas promessas de campanha. Isso é um direito do eleitor.




(Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, 48, doutor em Economia pela Universidade de Harvard (EUA), é professor titular da FGV (SP), vereador da cidade de São Paulo e candidato a deputado federal pelo PL. Foi secretário de Planejamento e de Privatização e Parceria do Município de São Paulo na administração Paulo Maluf).


Publicado no Jornal Comércio do Jahu: 08/07/1994

Publicado no Jornal da Região (São José do Rio Preto - SP): 12/07/1994

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