• Marcos Cintra - Diário de S. Paulo

A qualificação e o seguro-desemprego


Ao mesmo tempo em que empresas no Brasil penam para encontrar profissionais qualificados, há nas principais regiões metropolitanas mais de 1,4 milhão de pessoas desempregadas. Ou seja, há trabalhadores em busca de ocupação e ao mesmo tempo as empresas não conseguem preencher as vagas ofertadas porque os candidatos não têm habilidades exigidas para os cargos. É preciso repensar a qualificação do trabalhador brasileiro em todos os seus níveis, de tal forma que isso se torne uma política pública com ações de curto, médio e longo prazos e integre governo, empresas, entidades de classe e universidades. Recentemente, chamei a atenção para o problema afirmando que um dos componentes dessa política deveria ser a vinculação de programas de transferência de renda à participação de seus beneficiários em cursos de capacitação profissional. Transferir renda sem exigir a contrapartida dos beneficiários de ações como, por exemplo, o seguro-desemprego ou o Bolsa Família desestimula a inserção de pessoas no mercado de trabalho. Enquanto recebem o benefício, muitas pessoas não têm interesse em cursos de capacitação porque temem perdê-lo. Cabe citar a boa iniciativa do Ministério do Trabalho e Emprego, que criou um programa que vincula o seguro-desemprego à capacitação de trabalhadores. Pessoas que tenham pedido o benefício mais de duas vezes nos últimos dez anos deverão realizar cursos profissionalizantes em sua área. A frente da Secretaria Municipal do Trabalho da capital, estou propondo especializações que possam contribuir para esse programa federal. Criar uma política nacional de qualificação do trabalhador, tendo como um de seus pilares a vinculação dos programas de transferência de renda, é uma forma de elevar a capacidade produtiva da mão de obra. Além disso, permite elevar a renda do trabalhador e minimiza impactos negativos gerados pelo desemprego e pela baixa capacitação laboral.

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