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  • Marcos Cintra

Abertura da economia é consenso nas respostas

No relacionamento econômico externo, os candidatos à Presidência da República mostram uma certa convergência de propósitos. Com a surpreendente exceção de Caiado, os demais candidatos que responderam ao questionário formulado pela Folha afirmam que uma maior abertura da economia para o exterior é uma necessidade na retomada do desenvolvimento brasileiro.


Uma política de maior integração com a comunidade econômica mundial implica incrementar os fluxos de comércio. Não se trata de aumentar o superávit comercial - como bem salientado por Collor de Mello e Afif - mas sim de ampliar as exportações e também as importações. Em outras palavras, preconizam o aumento das exportações "pari passu" com a ampliação da oferta interna mediante a expansão das importações.


Tal política resultaria no aumento da produção doméstica, concomitantemente com a redução das pressões inflacionárias. Afif ainda enfatiza seu desejo de incentivar a entrada de capital de risco e é o candidato que demonstra a concepção mais abrangente de uma política econômica externa liberal.


Maluf é confuso em sua resposta. Quer "liberar" (?) as tarifas alfandegárias e mostra interesse em "trabalhar" (?) com os blocos europeu e asiático. Mantém, apesar de tudo, uma evidente tônica liberalizante no relacionamento da economia brasileira.


Covas e Ulysses também se rendem às tendências liberais, mas impõem restrições. Covas é seletivo na admissão de investimentos estrangeiros. Ulysses repudia a abertura indiscriminada da economia e também o protecionismo. Freire segue, grosso modo, essa mesma tendência de cauteloso liberalismo.


Caiado é a nota destoante. Ele caminha na direção errada. Prega o protecionismo e o incentivo máximo às Zonas de Processamento de Exportações, aliás criticadas por todos os demais presidenciáveis. Encarna uma concepção ultrapassada acerca de uma política de crescimento, calcada no fechamento do mercado interno e na adoção de incentivos e subsídios para competir nos mercados mundiais.


Nas respostas publicadas pela Folha, os candidatos não se referem a aspectos fundamentais na formulação de uma política externa consistente, como as diretrizes de política cambial, a transferência de tecnologia (mencionada de leve por Covas), a questão da formação de blocos comerciais apenas mencionada por Ulysses, e a repatriação de lucros.


Na discussão da política econômica externa para o Brasil, Afif e Collor saem na frente, seguidos de Covas e Ulysses. Os demais ficam distantes, na rabeira, inclusive Lula e Brizola, que fugiram do debate.


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