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  • Marcos Cintra

Brasil em marcha ré

Não é apenas na economia que o Brasil está andando para trás. Isso ocorre também na gestão pública, em que o aparelhamento e o uso político patrocinado pelo governo arrasaram a Petrobras, uma empresa que já foi um ícone nacional. O país está importando gasolina mais cara do exterior e não ajusta o preço internamente. Esse desalinhamento gera perdas que limitam a capacidade de investimento da estatal, que tecnicamente está falida. Além disso, há a nebulosa negociação de uma refinaria em Pasadena, nos EUA, que gerou prejuízo de mais de US$ 1 bilhão para a petroleira.


Na saúde, a situação também é de penúria. O SUS repassa valores irrisórios por procedimentos médicos e, segundo o Conselho Federal de Medicina, entre 2005 e 2012, foram reduzidos quase 42 mil leitos hospitalares na esfera pública brasileira.


Em relação aos médicos, a impressão popular é que há falta deles, mas o país tem mais médicos do que o mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O problema é a má distribuição deles, situação que o governo demagogicamente quer resolver trazendo profissionais de Cuba, cujo idioma os pacientes não entendem, para atuar em unidades de saúde onde faltam equipamentos e materiais básicos de primeiros socorros. Vale lembrar que cada profissional cubano custa R$ 10 mil para o contribuinte brasileiro, e esse dinheiro tem como destino o país de Fidel e Raul Castro. O que efetivamente cada médico cubano recebe equivale a US$ 1.245 por mês.


A educação também é outra vergonha. O país ficou entre os últimos colocados no PISA, programa que avalia a qualidade de ensino em várias nações. Além disso, ainda há mais de 30 milhões de brasileiros em situação de analfabetismo funcional, e em 12 anos, o número de jovens com idade entre 15 e 17 anos fora do ensino médio saltou de 7,2% para 16,2%.


Na ética, o retrocesso tem a ver com o julgamento envolvendo os mensaleiros. Parte do Superior Tribunal Federal (STF) livrou da prisão políticos corruptos da cúpula petista. A condenação em regime fechado no passado foi um marco na história do país e indicou que algo poderia começar a mudar no Brasil. No entanto, a nomeação de novos membros daquela instituição pela presidência da República fez imperar novamente a impunidade que tanto macula a sociedade brasileira.


Em termos de ordem pública, há a vergonhosa baderna promovida por grupos de desocupados que se acham no direito de agredir pessoas e promover furtos e roubos em shopping centers e em parques públicos. Soou como deboche saber que a presidente da República convocou reunião para debater "rolezinho" com o ministro da Justiça. Não há tema mais relevante para o governo? Arrisco a afirmar, categoricamente, que o tal "rolezinho" é apenas uma das consequências da indecente educação pública no Brasil. Há também as gangues denominadas "black bloc", que imitam iniciativa parecida em outros países, e que de modo selvagem destroem veículos, lojas e bens públicos em nome de algo que eles mesmos não sabem definir exatamente.


Seria lamentável se o país estivesse patinando em relação aos pontos citados. Mas, a situação é ainda mais grave e preocupante porque há uma percepção de involução no tocante a aspectos envolvendo civilidade, instituições públicas e gestão governamental. O Brasil está andando em marcha à ré.

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