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  • Marcos Cintra

Corrupção e a Reforma Política


O esquema envolve construtoras e conta com a participação de vários políticos como prefeitos, governadores e congressistas. Tudo leva a crer que, em alguns casos, dinheiro público seria desviado não apenas para financiar campanhas eleitorais, mas também para custear despesas particulares.


É desanimador para o trabalhador brasileiro ver que políticos e servidores públicos se apropriam sordidamente de parte de seu esforço. A roubalheira no país prolifera espantosamente, e a reforma política pode ser um ponto de partida para coibir a corrupção.


A reforma política é uma demanda fundamental para moralizar a administração pública brasileira. Ela deve ser capaz de "desprofissionalizar" a política e desmantelar as organizações criminosas incrustadas no governo.


Uma reforma política séria precisa começar proibindo que parlamentares ocupem cargos executivos; deveria reduzir drasticamente o número de servidores em cargos em comissão, o que formaria um corpo técnico estável no governo; e determinar que, caso fique comprovado que parlamentar indicou servidor para qualquer cargo executivo, ele perderia sumariamente seu mandato.


É imprescindível moralizar a máquina pública brasileira em todos os níveis. É preciso remodelar os parâmetros comportamentais da classe política do país. As funções eletivas devem ser uma contribuição que todos os cidadãos oferecem temporariamente à coletividade, e jamais devem ser transformadas em atividade profissional, nem substituir os meios de sobrevivência individual das pessoas envolvidas. Um político que tenha perdido sua condição de sustentação no setor privado, que tenha se afastado de sua profissão e que passe a depender da política para sua manutenção, torna-se capaz de tudo e de qualquer coisa para sobreviver. Ele fará da política um "grande balcão de negócios", tal como afirmou o empresário Darci Vedoin, o criador da máfia dos sanguessugas.


Deprime ver que a corrupção na administração pública brasileira é uma praga que se alastra numa velocidade impressionante e que contamina todas as instâncias governamentais. Definitivamente, o fenômeno é uma endemia que parece não ter cura.


Nos últimos anos, o Brasil foi palco de lamentáveis casos de corrupção que envergonharam o país no cenário mundial. Muito se roubou do cidadão que, a cada ano, tem que trabalhar cada vez mais para abastecer o saco sem fundo das contas públicas, de onde recursos evaporam para abastecer os esquemas de desvio de dinheiro.


É lamentável constatar que protagonistas de crimes contra o Estado permanecem na vida pública e as instituições que deveriam puni-los pouco atuam nesse sentido. Estão vivas na mente do cidadão honesto maracutaias marcantes como a dos anões do Orçamento federal, a dos gafanhotos de Roraima, a compra de votos no Congresso, o "valerioduto", o esquema dos "sanguessugas", entre vários outros.


A maracutaia em evidência atualmente refere-se à máfia que comanda o superfaturamento de obras. Recentemente, a "Operação Navalha" revelou um grande esquema envolvendo o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), programa do governo federal que prevê investimentos da ordem de R$ 500 bilhões.


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Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas.

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