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Roberto Campos e o IUT

Marcos Cintra - Folha de S.Paulo
24 de mai. de 1992
2 min de leitura

Atualizado: 31 de jan. de 2024

A proposta do Imposto Único sobre Transações (IUT) tem sido frequentemente tratada como um "salto no escuro" o que tem levado muitos analistas a proporem sua implantação gradual.

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Nesse ponto há concordância entre todos. Sua implantação gradativa seria essencial para permitir a adequação do sistema produtivo brasileiro ao novo perfil de demanda e de preços relativos que adviria dessa inovação. Contudo, o temor do "salto no escuro" não justifica um salto no claro, mas para trás, como lembrou com lucidez o ex-ministro Roberto Campos.

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O Brasil já foi pioneiro em questões tributárias no passado. O imposto sobre valor adicionado, agora universalmente defendido pelos economistas, foi implementado no Brasil em 1966-67, antes da Alemanha e concomitantemente com a França. Uma audácia cujos méritos devem ser creditados ao mesmo Roberto Campos — e há quem o diga conservador! — Que hoje reconhece que os velhos dogmas tributários devem ceder lugar às imposições de condicionantes de ordem administrativa pública e da estonteante evolução da cibernética moderna.

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De fato, não podem os desenhos de modelos tributários permanecerem imunes às profundas modificações impostas à humanidade pela informática.

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A tributação não tem mais como continuar dependendo de resquícios históricos como a sistemática de arrecadação conhecida como "auto apuração e auto recolhimento com auditoria".

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Exige a automaticidade e a economicidade dos CPDs do sistema bancário moderno, bem como do fato de por eles transitarem a quase totalidade das transações realizadas em economias nas quais a moeda manual está desaparecendo.

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Em seu lugar, surge a moeda escritural, um impulso eletrônico em contas gráficas mantidas pelo sistema bancário.

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São imposições de uma nova era tecnológica que terão de ser absorvidas, mais cedo ou mais tarde, pelo sistema tributário mundial.

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Há que se buscar modelos tributários menos burocratizados e que permitam que a atividade empresarial seja orientada primordialmente ao investimento, à geração de empregos e à busca de novos produtos e processos.

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É lamentável que, ao invés de ir na direção da simplificação e da economicidade, a legislação tributária brasileira caminhe no sentido inverso, como atestado pela lei 8.383, que exige balanços regulares e implica o aumento de 50% a 75% nos custos de mão-de-obra para o atendimento das obrigações fiscais brasileiras.



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