Roberto Campos e o Imposto Ănico
- Marcos Cintra - Folha de S.Paulo
- 2 de out. de 1994
- 2 min de leitura
Atualizado: 31 de jan. de 2024
"Somente apĂłs a grande revolução da informĂĄtica, a ideia de um imposto Ășnico passou da utopia simplista a uma possibilidade prĂĄtica..." - Roberto Campos
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Em recente artigo, Roberto Campos discorre sobre as mazelas de nossa estrutura fiscal e aponta a regressão produzida no sistema tributårio pela Constituição de 1988, em comparação com a simplicidade e racionalidade da de 1967.
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Ao abordar a necessidade de modernizar a estrutura fiscal, mostra que as formas tributĂĄrias clĂĄssicas nĂŁo atendem Ă s particularidades do Brasil, tais como o uso predominante da moeda bancĂĄria eletrĂŽnica; a posse de um sistema bancĂĄrio informatizado; e da deterioração da Ă©tica fiscal. E aponta as trĂȘs propostas de modernização fiscal que estĂŁo no Congresso.
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Em um extremo, a conservadora proposta que visa a simplificação do atual modelo. No outro, a do Imposto Ănico. No meio, a que adotaria a tributação da moeda eletrĂŽnica em lugar das contribuiçÔes sociais e implantaria impostos nĂŁo-declaratĂłrios, recolhidos na fonte.
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Mas Ă© a proposta do Imposto Ănico que recebe o aval de Roberto Campos, um homem corajoso para conceber e executar propostas como a reforma tributĂĄria de 1967, que introduziu o primeiro imposto sobre valor adicionado no mundo âo ICM.
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Diz este autĂȘntico revolucionĂĄrio, em outro artigo, que a proposta do Imposto Ănico "nĂŁo Ă©, ao contrĂĄrio do que diz a sabedoria tradicional dos fiscalistas, ingĂȘnua ou inexequĂvel. Ă apenas insolentemente nova, cujo tempo jĂĄ chegou".
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O Imposto Ănico nĂŁo altera a forma federativa do Estado e encontra enorme legitimidade social, como evidenciado por pesquisa do Conselho Federal de Administração, divulgada no mĂȘs passado, que apurou 85% de apoio dos administradores de empresas ao projeto.
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Com a extinção do IPMF, no final do ano, se espera que a proposta do Imposto Ănico seja resgatada. E que possa ser a pedra de toque na reforma tributĂĄria que deverĂĄ ser deflagrada jĂĄ no inĂcio do prĂłximo governo, para dar consistĂȘncia fiscal e tornar duradouro o Plano Real.
MARCOS CINTRA, doutor em economia pela Universidade Harvard (EUA), e professor titular da Fundação Getulio Vargas.