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Fica o IPMF, sai a Cofins

Marcos Cintra - Folha de S.Paulo
9 de out. de 1994
2 min de leitura

Atualizado: 5 de abr. de 2021


“Nós temos que simplificar, nós temos que tornar os impostos menos declaratórios.” Fernando Henrique Cardoso, em sua primeira entrevista como presidente-eleito

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A sociedade não exige, e o governo não deseja, acabar com o IPMF. Mas não se pode aceitar o comportamento irresponsável do administrador público, que a qualquer aperto de caixa volta-se ao pobre contribuinte, como a uma dócil vaca leiteira pronta a ser ordenhada.

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É a conotação fiscalista do IPMF que explica o repúdio àquele tributo. O impacto na formação de preços não foi significativo e não alterou a competitividade dos produtos brasileiros de exportação.

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O IPMF é um imposto repudiado por economistas que não conseguiram se libertar dos preconceitos acadêmicos. Mas é tolerado pela economia. Poucos se dão ao trabalho de calcular os débitos do IPMF em suas contas bancárias.

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Apenas o setor financeiro tem razões para reclamar, já que o governo não evitou a cumulatividade naquele setor, como seria necessário.

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A receita do IPMF, ao contrário do que dizia o governo, aumentou com o Real, gerando para a União US$ 500 milhões por mês. Além do reforço de receita, o IPMF não é partilhado com outros níveis de governo, o que o torna um importante instrumento de política fiscal para consolidar o Plano Real.

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O ideal seria que o IPMF continuasse, mas em substituição a outros tributos ineficientes e custosos.

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O primeiro candidato à lata do lixo é a Cofins. Trata-se de tributo semelhante ao IPMF, pois ambos incidem sobre o faturamento bruto das empresas.

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Só que a Cofins é declaratória e arrecada aproximadamente a mesma quantia, com alíquota oito vezes maior. Um alerta acerca do desgaste crescente dos impostos declaratórios.

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Outros tributos poderiam ser eliminados. Os adicionais do Imposto de Renda e outros “penduricalhos” que infernizam a vida das empresas e pouco contribuem para as receitas.

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Como se vê, com um pouco de boa vontade dá para fazer, do limão, uma boa limonada.

MARCOS CINTRA, doutor em economia pela Universidade Harvard (EUA), e professor titular da Fundação Getulio Vargas.

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