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Novo abuso

Marcos Cintra - Folha de S.Paulo
15 de jan. de 1995
2 min de leitura

Atualizado: 30 de mar. de 2021


O pacote tributário editado traiçoeiramente em 30 de dezembro comprovou que "plus il change, plus c'est la même chose". Por mais que as coisas mudem, mais elas ficam iguais.

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Repetiu-se o que ocorre todo final de ano: aumento de impostos, novas regras tributárias, maior arrecadação e promessas –sempre frustradas– de equilíbrio fiscal.

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A medida provisória 812 aumenta impostos. A Receita negou que o pacote aumente em mais de US$ 20 bilhões a arrecadação. Alega que irá recolher menos da metade do que deixa de ganhar com o IPMF.

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Não está em discussão a necessidade inconteste de um profundo ajuste fiscal no Brasil. O que desejo apontar é a forma desdenhosa e insultante como os administradores públicos tratam os contribuintes.

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A edição de novo arrocho tributário no último dia do ano respeita o princípio da anualidade, mas não o seu espírito. Afinal, os novos impostos estão sendo cobrados no dia seguinte à sua publicação.

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É por isto que, como vereador em São Paulo, apresentei projeto de emenda à Lei Orgânica, exigindo que alterações tributárias sejam aprovadas por três quintos dos vereadores (e não pela maioria, como é hoje).

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Além disso, aumentos de impostos só poderão ocorrer no início do exercício se as leis tiverem sido publicadas com antecedência de seis meses.

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As regras da MP 812 incidirão sobre empresas. É imposto indireto, que será repassado a preços. Os encargos recairão sobre os contribuintes, como sempre desrespeitados e explorados.

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Pacotes intempestivos não condizem com a expectativa criada com o novo governo, que é continuação do anterior.

Mudam tudo à toda hora. O IOF acabou de ser eliminado nas aplicações financeiras e, menos de uma semana depois, já se fala que poderá voltar!

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Uma nota para finalizar: em 1995, as empresas com lucro líquido acima de R$ 780 mil entregarão ao governo 59% do lucro e distribuirão 41%. Estarão servindo mais ao governo que a seus acionistas.

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É assim que se pretende uma economia moderna e dinâmica?

Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, doutor em Economia pela Universidade de Harvard (EUA).

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