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Controle hoje, silêncio amanhã

  • Foto do escritor: Marcos Cintra
    Marcos Cintra
  • há 10 horas
  • 1 min de leitura

Pouco a pouco, o governo vai normalizando mecanismos de controle sobre o debate público. Agora, decretos assinados por Lula ampliam o poder estatal sobre as redes sociais, dando à ANPD competência para fiscalizar plataformas, aplicar multas, suspender atividades e impor obrigações baseadas em decisões ainda controversas do STF.


O argumento oficial é combater crimes digitais e desinformação. O problema é outro: toda censura formal começa com boas intenções e poderes ‘excepcionais’. Hoje dizem que é para proteger a sociedade; amanhã, quem define o que pode ou não circular passa a ser o próprio aparato estatal.


As próprias entidades do setor digital alertaram que os decretos transformam em obrigações permanentes uma decisão judicial ainda sujeita a recursos, ampliando insegurança jurídica e criando espaço para remoção excessiva de conteúdo.


A história mostra que liberdade de expressão raramente acaba de uma vez. Ela é corroída gradualmente: primeiro vem a fiscalização, depois a punição, depois o medo de falar. E quando a sociedade percebe, a censura já virou ‘regulação’.


Democracia não se protege concentrando poder sobre a palavra. Democracia se protege garantindo o direito de discordar.



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