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  • Marcos Cintra

Desemprego no mundo e no Brasil

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) produziu o relatório "Global Employment Trends" e nele estima que a recessão global pode gerar, em 2009, relativamente a 2007, um contingente adicional de desempregados entre 18 milhões e 30 milhões de pessoas, mas esse número pode chegar a 50 milhões, caso o quadro continue se deteriorando. O relatório da OIT aponta que em economias ricas como os Estados Unidos, Canadá, União Europeia, Japão, entre outras, os desempregados adicionais poderão variar entre 4 milhões e 11 milhões de pessoas. No Leste e Sul da Ásia, o desemprego pode atingir entre 8 milhões e 26 milhões de trabalhadores. Na Europa Oriental, Oriente Médio e África, esse contingente ficaria entre 3 milhões e 10 milhões.


A OIT não disponibiliza no relatório dados referentes a países, fazendo-o apenas para regiões. No caso do Brasil, as informações estão contidas na América Latina e Caribe, onde a estimativa é que os desempregados poderão variar entre 2 milhões e 4 milhões de trabalhadores nos quase 50 países que compõem a região.


Os dados da OIT revelam que a turbulência econômica mundial iniciada nos Estados Unidos terá um impacto mais devastador sobre o mercado de trabalho nos países ricos. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de desempregados hoje já é de 12,5 milhões de pessoas, sendo que esse contingente era de pouco mais de 7 milhões em 2007. Na Europa, o desemprego atingiu 8% em dezembro do ano passado, a mais alta porcentagem dos últimos dois anos, e, no Japão, a indústria anuncia com frequência cortes de funcionários, e a estimativa é que cerca de 30 mil dekasseguis voltem ao Brasil por conta disso.


A situação do mercado de trabalho no Brasil em função da crise global é relativamente boa quando comparada com a dos países ricos da Europa, América do Norte e Japão. O desemprego preocupa por aqui, mas a situação é mais dramática lá fora, como projeta a OIT.

O governo federal vem reorientando as diretrizes da política macroeconômica, fortalecendo o mercado interno para compensar a retração mundial. Mas é preciso dissipar o ambiente extremamente ruim que se criou, e que aumenta o drama dos trabalhadores brasileiros, e buscar alternativas que evitem cortes de funcionários.


Uma alternativa que coloco em debate poderia distribuir melhor o impacto da crise sobre o setor produtivo. Em vez de simplesmente cortar postos de trabalho, as empresas poderiam negociar com os sindicatos uma redução nos salários na exata proporção das pretendidas demissões. Se uma empresa concluísse que teria que cortar, por exemplo, 20% de sua folha salarial, essa redução se daria não com cortes de pessoal, mas através da diminuição de salários nessa mesma proporção. Certamente, haveria um consenso entre os trabalhadores, que prefeririam manter seus empregos, mesmo que recebendo menos, do que perder o emprego e conviver com rendimento zero. Além disso, a tendência é que mesmo que encontre outro trabalho, numa situação de crise, sua remuneração para o mesmo cargo provavelmente seja reduzida.


 

Marcos Cintra é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas, é secretário municipal do Trabalho e Desenvolvimento Econômico de São Paulo. E autor da proposta do Imposto Único.

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