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  • Marcos Cintra

FHC-Munhoz: a escolha coerente

Embora os próximos quatro anos devam marcar um dos mais importantes períodos de nossa história política e econômica, a atual campanha eleitoral demorou para empolgar a opinião pública. No cenário nacional, o próximo Congresso e o novo presidente da República terão, quiçá, a derradeira oportunidade de estabilizar a economia do País e reencetar um processo de crescimento econômico auto-sustentado. Também em nível estadual, e no contexto de uma imprescindível reforma fiscal, o próximo mandato será decisivo na gestação de um novo modelo político-administrativo.


Hoje, as grandes estrelas da sucessão em São Paulo e no Brasil são do PSDB, Covas e Fernando Henrique. Mas o time a entrar em campo pode ser outro.


Os tucanos já foram considerados politicamente inábeis e indecisos. Mas nunca sofreram abalos significativos em seus princípios éticos e morais, ou em sua retidão de propósitos.


Em poucas semanas, isto mudou.


As desastradas declarações do ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, poderão abalar a imagem que o partido desfrutava junto à população.


Mas, neste caso, a culpa foi prontamente reconhecida e um novo ministro foi indicado pelo partido e empossado pelo Governo. Os prejuízos eleitorais foram limitados. A candidatura de Fernando Henrique Cardoso continua sólida, já que as declarações do ex-ministro não envolvem diretamente o candidato, nem a equipe responsável por sua campanha. Ficou também evidente que Fernando Henrique, por suas qualidades pessoais, ultrapassou a área de abrangência definida.



No campo econômico, o andamento do Plano Real não sofreu abalos em seu ritmo de exemplar sucesso e credibilidade. A equipe econômica continua a mesma, e o Governo dispõe de instrumentos de controle e de monitoramento para conduzir o plano até que o novo governo adote as medidas essenciais para a sustentação permanente do programa.


Mais sérias são as acusações surgidas em São Paulo e que apontam irregularidades financeiras na vida política e na campanha do candidato Mário Covas. Os fatos ainda são nebulosos e, curiosamente, nem a Imprensa, nem a opinião pública estão a exigir explicações mais detalhadas de acusadores ou de acusados, embora se trate de insinuações graves, acerca do comportamento do candidato e de seus assessores pessoais.


Assim, crescem as probabilidades de grande desgaste da candidatura Mário Covas e de crescimento de um opositor, que chegará ao segundo turno. Com certeza será Barros Munhoz, impulsionado não apenas pelo amplo arco de alianças políticas que o sustenta, mas principalmente por suas qualidades pessoais, que o eleitorado começa a identificar, através de sua maior exposição à mídia.


Barros Munhoz surge como um candidato afinado com a visão de mundo de Fernando Henrique Cardoso. Ambos buscam soluções criativas e corajosas para os angustiantes problemas nacionais. Ambos cercam-se de assessorias competentes e inovadoras, ampliando o leque de apoios com os quais governarão. Ambos exalam uma sensação de renovação e de esperança, embora se encontrem cercados de velhos problemas e, por maior que seja a inutilidade, assediados por sobreviventes do arcaísmo político que sempre marcou o País.


O Brasil não pode mais suportar um setor público ineficiente e corporativista. É preciso evitar o desperdício de novas oportunidades para transformações estruturais da economia brasileira como infelizmente ocorreu na Constituinte, em 1988, e em sua fracassada revisão, em 1993-94. Nestas duas ocasiões, venceram as lideranças políticas rançosas, marcadas pela inércia, pelo paternalismo e pelo corporativismo.


A dupla Fernando Henrique e Barros Munhoz mostra ser capaz de alavancar as potencialidades do Estado e do País. É que mostra maior compatibilidade de propósitos e de concepções acerca da construção de uma nação moderna, dinâmica e na qual o foco incidirá sobre o cidadão. Em ambas administrações, pode-se prever o crescimento das áreas de saúde, educação, agricultura, como instrumentos de formação do capital humano. A desburocratização, a privatização, a reforma tributária e a descentralização se farão presentes, despertando o setor privado da apatia em que se encontra.


FHC e Munhoz complementam-se para que São Paulo possa liderar um processo multiplicador de riqueza e desenvolvimento por todo o País.


Marcos Cintra é economista.


Publicado na Folha de S.Paulo: 19/09/2023

Publicado no Diário do Comércio: 15/09/2023

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