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Cidades ameaçadas

Marcos Cintra - Diário do Comércio
15 de set. de 2008
2 min de leitura

Atualizado: 22 de mar. de 2024

Segundo a ONU, as cidades abrigam hoje 3,4 bilhões de pessoas. Daqui a 20 anos esse contingente será de 5,5 bilhões de indivíduos – ou cerca de 60% da população mundial. Essa acelerada expansão populacional cria perspectivas de caos urbano nas grandes e médias cidades dos países em desenvolvimento, pois elas se acham despreparadas para abrigar em tão pouco tempo esse elevado contingente adicional de pessoas.

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Metrópoles como São Paulo, por exemplo, sofrem ameaças de problemas urbanos agudos, que poderão se intensificar a ponto de produzirem colapsos de natureza ambiental, social e infraestrutural. Ainda em pequena escala, a cidade já sofre serio problemas de poluição e de congestionamentos, comprometendo seriamente a qualidade de vida de seus habitantes.

Por isso, é indispensável que os gestores públicos adotem uma postura responsável frente a tais problemas, deixando de ignorá-los e ou de empurrá-los para debaixo do tapete, como sempre ocorreu no Brasil.

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Em apenas 48 anos a população da cidade de São Paulo quase triplicou, saindo de 3,8 milhões de habitantes em 1960 para 11 milhões em 2008. Ou seja, 7,2 milhões de pessoas a mais passaram a residir na capital paulista num espaço relativamente curto de tempo, número equivalente, por exemplo, à população de uma cidade como Londres.

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Em termos de ocupação do solo, a mancha urbana na capital paulista cresceu desordenadamente. Houve proliferação de favelas e de loteamentos irregulares. Foram sendo ocupados terrenos públicos e privados e hoje cerca de 30% dos moradores em São Paulo vivem nessa situação subnormal e ilegal.

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Surgiram vários problemas angustiantes relacionados ao abastecimento de água, destinação do lixo, esgotamento hídrico, poluição e congestionamento. Por tudo isso, é urgente pensar e repensar a vida urbana no Brasil.

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O Conselho da Cidade, que criei em meados do ano passado, foi institucionalizado em evento no Sindicato dos Engenheiros e contou com a presença do prefeito Gilberto Kassab. Lá se reúnem técnicos de diferentes áreas com o objetivo de apresentar alternativas inovadoras para os problemas das megacidades que surgem no planeta.

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São Paulo passou por grandes transformações nos últimos anos e hoje há um acúmulo de problemas que comprometem dramaticamente, e de modo acelerado, a qualidade de vida da cidade.

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A perspectiva de aumento populacional, combinada com as mudanças socioeconômicas que o País vive, vai tonar a situação ainda mais crítica. Novas demandas urbanas estão surgindo e elas precisam de novos tratamentos. Velhas medidas não servem mais frente a uma dinâmica que assume novas formas.

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O Conselho da Cidade é uma instituição para repensar as cidades e seus problemas. É uma primeira etapa cumprida, e que pretende trazer subsídios para a reflexão em busca de soluções para nossos problemas atuais e futuros. Pretendemos criar um banco de ideias para oferecer aos nossos governantes.


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